Há poucas semanas, estive em um rodeio. Foi a segunda vez na vida que fui a uma festa desse tipo. Na tentativa que venho fazendo de derrubar meus preconceitos musicais, assisti ao show do Luan Santana.
Confesso que não foi dessa vez que o “sertanejo universitário” me pegou, mas consegui ver alguns pontos positivos nesse movimento.
Primeiro, a produção desses shows atingiu um nível alto, equiparado a muitos espetáculos estrangeiros que chegam aqui a preços bem mais salgados e, às vezes, qualidade estética questionável.
Segundo, Luan e companhia consolidam o que Chitãozinho e Xororó começaram nos anos 80 ao conseguirem espaço nas rádios FM e emissoras de TV: recuperam uma espécie de orgulho caipira entre os jovens.
Agora, os novos sertanejos conseguiram abrir também as portas das classes mais altas. O público A e B passou a consumir o que, durante muito tempo, foi considerado “música de pobre”, de “gente sem cultura”, de “classe C”.
Claro que a música sertaneja de raiz precisou se atualizar, se modernizar, ficar pop. Por isso, num show como o de Luan Santana, é possível identificar algo de Michael Jackson nas entradas triunfais, algo de Madonna nos bailarinos, algo de rock nos solos de guitarra, etc.
Mas, ainda que moderninhos, esses jovens artistas sertanejos e seus fãs reforçam, a meu ver, a tese do antropólogo Darcy Ribeiro: fazemos parte de um “Brasil caipira”. Não adianta negar, muito menos ter preconceito.
Fatos sonoros
Agosto de 1977 – Na próxima segunda-feira, faz 34 anos que morreu o “Rei do Rock”. Elvis Presley deixou fãs tão alucinados que até hoje alguns acham que ele está vivo. Dá pra entender que esteja mesmo na memória. Afinal, o cara pegou a música negra americana, transformou no maior fenômeno pop de seu tempo e influenciou tudo que veio depois.
O interior é minha praia
Assumo que tenho medo de altura. Mas uma experiência que tive, sem tanto trauma, foi o voo livre com parapente. Do alto de um morro, você corre amarrado a um instrutor e a uma espécie de paraquedas, que se abre e sobe com as correntes de ar. Meu voo foi em Socorro, mas quero repetir a dose em Fartura, diante da linda paisagem da cidade.
World music
Se há um artista brasileiro da atualidade que preza pela diversidade musical, o nome é André Abujamra. Seu som é uma mistura alegre de influências de todo canto do planeta. Do leste europeu ao Zimbábue, do candomblé ao heavy metal, André faz um som ímpar que se traduz em espetáculos contagiantes. Seu trabalho mais recente, “Mafaro”, é uma viagem étnica na veia. Muito bom! Aqui, o link de um vídeo-resumo desse trabalho: http://vimeo.com/11850301
Compartilhamento
Na internet, dá para assistir ao documentário “O Povo Brasileiro”, baseado no livro do antropólogo Darcy Ribeiro, citado aqui no texto principal de hoje. Um dos capítulos é “Brasil Caipira”, que fala muito sobre o interior de São Paulo e ajuda a compreender nossas origens. Aqui: http://migre.me/5sTCk
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