domingo, 8 de janeiro de 2012

Com novo disco, RPM é alternativa a Restart, Gusttavo Lima e Luan Santana

O pop brasileiro hoje é dominado por sertanejos, cantoras de axé e artistas tipo Luan Santana e Gusttavo Lima, quase todos cantando músicas de duplo sentido e tiradinhas engraçadas. Quando não é isso, é o rock do Restart, feito para crianças.

Nada de errado com isso, mas há muito mais para se ouvir e o novo disco do RPM é um exemplo disso.

O CD Elektra saiu no finzinho de dezembro de 2011 e ninguém sabia o que esperar, afinal a banda não soltava um trabalho de estúdio há 23 anos - tudo bem que boa parte deste tempo os integrantes ficaram separados.

E o disco é uma boa surpresa. Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e P.A. conseguiram criar ótimas canções pop mantendo os elementos do RPM antigo e ainda trouxeram novidades.

De cara, o estilo é muito dançante, com vários elementos eletrônicos e letras inspiradas. Os teclados predominam e a linha geral tem referências ao som dos anos 80, mas com uma roupagem mais moderna, mais ou menos como fazem hoje o velho Duran Duran e bandas mais novas como The Killers, por exemplo. Nesta leva estão Dois Olhos Verdes (a primeira música de trabaho), Crepúsculo, Elektra, Cassino Royale e Santo Graal.

Em algumas destas há até um certo exagero no lado dançante com os produtores Paulo Ricardo e Luiz Schiavon pesando um pouco a mão na eletrônica.

A impressão geral é que eles fizeram as canções para serem tocadas em casas noturnas. Mas vamos combinar que ninguém vai dançar RPM na noite em 2012, certo?

Paulo Ricardo também se destaca da média do pop brasileiro atual com suas letras mais densas, cheias de referências ao cinema, artes, política e por aí afora em faixa como Muito Tudo, Problema Seu e Pessoa X.

Paulo continua um ótimo compositor de baladas e mostra isso em Deusa das Águas e Vidro e Cola. Ambas sem o lado mais brega que o cantor tinha nos anos 90 em sua fase romântica da carreira solo.
Mas o disco tem suas bolas-fora. Há algumas faixas que dão a impressão de estar ali apenas para compor o CD. São os casos de Elektra, Ninfa, Santo Graal e Cassino Royale. Estas estão entre as menos inspiradas do disco e até as letras são fracas.

Apesar destes escorregões, Elektra é um CD que difere totalmente do que se faz hoje no pop brasileiro.

Não é tão inspirado e nem tem grandes hits em potencial quanto Revoluções Por Minuto, álbum de estreia da banda. Apesar disso, o novo trabalho difere totalmente do que tem saído atualmente por aqui.

Agora se vai virar um grande sucesso, só esperando para ver.

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